terça-feira, 10 de junho de 2014

O MArtírio de Liliana - Pater II



Arte da capa de Alexa Dias
Até que ele resolveu
A situação investigar
Saiu de sua casa dizendo
Não voltar para jantar
Sendo assim ela pudesse
Com ele não se preocupar.
                                  
A noite não esqueceu
De surgir naquele dia
Se de algo ele soubesse
Para sua casa não iria
Só que ele não esperava
Aquele dia de agonia.

Entrou em casa bem tarde
Indo em direção ao quarto
Ouvindo sussurros fortes
Ficando estupefato
Sem dar tempo de reação
Flagrando Liliana no ato.

Quando Afonso percebeu
Lhe surgiu uma sensação
Um aperto forte no peito
Com feição de humilhação
Um Pensamento de morte
Na sua alma a decepção.

Os dois ficaram parados
Divergindo os pensamentos.
O amante com medo de
Ter findado seus momentos,
A esposa já rezando
Pra não haver falecimentos.

O marido percebeu
Que casou com pistoleira
Não queria fazer da vida
Uma grande desgraceira.
De repente perguntou:
- Tens dinheiro na carteira?

Os dois amantes ficaram
Sem saber o que acontecia
Porque numa cena desta
O que mais se esperaria!
Tiro para todo lado
Com morte, briga e agonia.

Sem saber como fazer
Pensando não viver mais
O pobre amante assustado
Sem pensar textos formais
Falou para ele baixinho:
- Tenho vinte quatro reais.

- Então pegue logo a roupa
Vista, saia d'aqui correndo
Porque se ficar por aqui
Vai acabar mesmo morrendo
Antes que eu mude de ideia
E uma faca vá metendo.

O amante sem entender nada
Resolveu não vacilar
Aproveitou da palavra
Se apressou pra se arrumar.
Depois que vestiu a sua roupa
Partiu sem para trás olhar.

Afonso falou a Liliana:
- Mulher, a escolha será tua
Tu morres agora pela honra
Ou viverás sem sair à rua?
Pense bem neste momento
Porque a sina será a sua.

Tu só poderás comer
Até vinte e quatro reais
É o valor que tu mereces
Por tuas ações propositais
Melhor morrer agora que
Não poder sair jamais.

Liliana respondeu assim:
- O que poderei fazer
Nesta situação ruim
Não há coragem pra morrer
Não tem escolha para mim
Presa em casa eu vou viver.

terça-feira, 3 de junho de 2014

O Martírio de Liliana - Parte I


Arte da capa de Alexa Dias

O amor não é para todos
Que dizem ter coração
Porque quando posto a prova
Acaba em confusão
Na estrada desta vida
Perdoar traz solução.

A estória que vou narrar 
Ao meu querido leitor
Fala de Afonso e Liliana
Uma estória de rancor
Demonstrando a todos que
Sem perdão não existe amor.

Na cidade de Licânia
Numa época bem distante
Havia um homem de gênio forte
Notando-se no semblante
Que tomava as decisões
Sem perder nem um instante.

Por lá naquele local
Afonso era conhecido
Por todos da redondeza
Como um homem destemido
Que diante dos problemas
Nunca se punha distraído.

Qualquer problema que tinha
Parecia feijão com arroz
Tudo ele solucionava
Em um minuto ou até em dois
Do mais fácil ao mais difícil
Nada iria para depois.

Sua esposa vivia em casa
Tida por trabalhadeira
Conhecida por Liliana
Lépida, linda e fagueira
Não havendo quem lhe quisesse
Tirar prosa ou brincadeira.

A rotina foi chagando
Deixaram de conversar
Nem mais para um bom dia
Muito menos para falar
Foi se acabando a alegria
Cada qual no seu lugar.

O destino prega peças
Nem sempre tem solução
E mesmo sem procurar
Aparece confusão
Afonso já desconfiado

Pressentindo uma traição.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Ateísmo com Deus




Se você estiver pensando
Que ser ateu é algo errado
É um ledo engano seu
Ser ateu nunca foi pecado
É apenas uma das formas
De ver a vida por outro lado.

"O perdão é para os fortes"
Os fracos sabem falar
Quando alguém faz algo com eles
A solução é se calar
E quando pedem perdão
Começam a se afastar.

Com certeza nosso Deus é: 
Compaixão, fraternidade
A esperança para a dor,
Gentileza, caridade
É a redenção e o eterno bem,
Honestidade e amizade.

Pensando um poco mais
Na melhor definição
É possível dizer àquele
Que tem Deus no coração
Para pensar no amor eterno:
-Não viva na solidão. 

domingo, 4 de maio de 2014

Anestesia que subiu para a cabeça - Parte IV



Dipirona com cafeina
Eu recomecei a tomar
Passando aquele dia todo
Querendo a morte voltar
Palpitação e agitação
Começaram a me atacar.

Aquela insônia veio junta
Com as luzes na visão
Com um aperto no meu peito
Com a  horrível palpitação
Depois de muito tempo
Dormi nesta agitação.

No sétimo dia acordei
Pensando em ficar a toa
Deitada na minha cama
Sem a tal dor que amaldiçoa
Quando levantava doia
Quando me deitava, boa.

No oitavo dia me acordei
Sentindo-me muito bem
Aquela dor na cabeça
Tinha sumido pro além
Havia se acabado tudo
Agora viveria sem.

Com muito medo fiquei
De outra anestesia tomar
Sabe-se lá quando eu iria
Outra nas costas levar
Procurei uma rezadeira
Para nunca mais operar.

Anestesia que subiu para a cabeça - Parte III



No quarto dia senti dor
De uma forma mais amena
Ainda no alto da cabeça
Numa escala bem pequena
Sentindo que não passava
Deixando-me bem serena.

Precisava ficar bem
Nem que fosse ao candomblé
A minha vida estava
Um horroroso cabaré
Iniciei por minha conta
A tomar muito café.

No quinto dia estava bem
Daquela dor horripilante
Mas comecei a apresentar
Uma coisa interessante
Um quadro novo surgiu
Neste momento estressante.

Me sentindo bem inquieta
Luzes fortes na visão
Sentada no meu cantinho
Sem mexer e com agitação
De noite fechei meus olhos
Sentindo palpitação.

Uma sensação de morte
À noite se fez presente
Tentei conseguir dormir
Rezando bem penitente
Pedindo a Deus pela cura
Ou então a morte plenamente. 

No sexto dia acordei viva
Resolvi tudo parar 
Agradecendo ao meu Deus
Por viva ainda estar
Mas logo que o dia andou
O que a dor fez foi voltar.

Desesperada liguei
Pro médico urgentemente
Para saber o que passava
No meu corpo de doente
A única coisa que disse:
- Faça tudo novamente.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Anestesia que subiu para a cabeça - Parte II



Que bom, que maravilhoso
Fui a minha casa dormir
Me acordei no outro dia
Alegre e sempre a sorrir
Sentindo-me muito bem
Sem nada pra me agredir.

No segundo dia não fiz
De nada que me adoeça
Passei a sentir muita dor
Bem em cima da cabeça
Eu comecei a pedir a Deus
Que a dor não me enlouqueça.

Fiquei em casa deitada
Analisando o sintoma
Deitada não sentia nada
De pé, oh! como a dor reclama!
Quando eu tossia mais me doia
Completando este axioma.

No terceiro dia pensei
Com meu médico falar
Pra me dar uma solução
Também para me explicar
Como é que a anestesia foi
Para a cabeça parar?

Disse-me que na coluna
Há um líquido protetor
Que sobe para a cabeça
E age como defensor
Envolvendo nosso cérebro
Para que não sinta dor.

Seu nome nos livros é líquor
Sendo também proteção
Para pancadas e acidentes
Do mar, da terra e do avião
Mas quando do corpo sai
Uma dor faz evolução.

Para cada 100 pessoas
Apenas duas sentem dor
Só que para estas poucas
São momentos de pavor
A mulher tem mais que o homem
Vou reclamar com o Criador.

Quando esta dor aparece
Sem nem anunciar seu nome
Todos ficamos sofrendo
Com esta dor que nos consome
Se levantar a bicha pega
E se deitar, a bicha some.

O anestesista me achou
Uma mulher bem machona
Me dando explicações
Fazendo tudo vir a tona
Depois me prescreveu
Cafeina com dipirona. 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Anestesia que subiu para a cabeça - Parte I



Deus fez todos os animais
A mulher veio da costela
Mas tudo de ruim no corpo
Parece ter vindo com ela
Quando Adão descobriu o amor
Quase que se descabela.

Vou contar vocês a estória
Antes que dela eu me esqueça
De uma mulher dentre outras
Que embora não mereça 
Sofreu com bastante dor
Bem no alto da cabeça.

Eu só poderia contar isso
Porque aconteceu comigo
Se eu não fosse pessoa crente
Acharia que foi castigo
Sendo bem orquestrado
Pela obra e ação do inimigo.

Finalmente chegou a hora
Daquele esperado dia
Tão necessário pra mim
Pra um joelho que me ardia
Eu rezando sempre em casa
Pra me sumir a covardia.

Já lá no centro cirúrgico
Se aproximou uma pessoa
Usando verde e com máscara
Parecendo ser um coroa
Me dando mil explicações
Querendo me deixar boa.

Depois que fingi entender
Calado me pôs sentada
Furando minha coluna
Fui ficando toda suada 
Quando eu fiquei um pouco mal
Já me puseram deitada.

Perguntei depois para ele
Como tudo ali corria
Ele foi pedindo calma
Era raquianestesia
Que d'ali a poucos instantes
Nada mais eu sentiria.

Ele foi dando um remédio 
Passei um tempo dormindo
Quando dei conta de mim
O doutor estava saindo
Me vestiram bem ligeiro
Para casa fui partindo.

domingo, 13 de abril de 2014

O Raposo e o Bode




Seu Raposo já bem vivido
Foi com o Bode caminhar
Por muitos era conhecido
Pela arte de enganar
Ninguém o considera amigo
De tanto vê-lo aprontar.

Durante esta caminhada
Eles encontraram um poço
Como a sede era gigante
Pularam sem fazer esforço
Bebendo água a se fartarem
No final veio um alvoroço.

- E agora!? Amigo Raposo,
Como nós iremos fazer?
Se ficarmos um tempo aqui
Iremos nós dois morrer.
Tu tens alguma solução
Para isso resolver?

- Oh! Querido amigo Bode
Eu tenho uma sugestão
Tu podes usar os teus chifres
Para me dar um empurrão
Assim que eu sair d'aqui
Te pegarei pela mão.

E assim os dois fizeram
Conforme foi combinado
O Bode fez muita força
Sendo o Raposo empurrado.
Quando se deram por conta
Raposo já tinha pulado.

Seu Raposo fez um gesto
De quem d'ali iria embora.
O Bode quando viu a cena
Fez uma cara de quem chora
Ai pensou neste momento:
"Eita! O que vou fazer agora?"

- Raposo, pra onde tu vais?
Perguntou ele com surpresa
E o Raposo respondeu:
- Amigo, gostou da proeza?
Tu devias pensar nisso
Antes de iniciar a empresa.

E seu Bode ficou pensando
Que mereceu seu castigo
Porque teve confiança
Em quem se fez de seu amigo
Quando na verdade foi
Um meio amigo ou seu inimigo.

Qualquer amizade requer
Entre os amigos a lealdade
Deixando que a convivência
Revele as dificuldades
Por mais que surjam problemas
Ficará a cumplicidade.

Este causo é mais uma fábula
Que ressalta o fingimento
Existindo em alguns
Como forte sentimento
Contada por La Fontaine
Pra nosso divertimento.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

- RICO OU POBRE, O CEMITÉRIO RECEBE DO MESMO JEITO.





A dor que ensina a viver
Pode provocar sequela,
O vento que apaga a vela
Também ajuda acender,
Um rio depois de encher
Termina perdendo o leito,
Tem tudo o mesmo conceito
Depois de levado a sério
- RICO OU POBRE O CEMITÉRIO
RECEBE DO MESMO JEITO
(Pedro Ernesto Filho)

Quem enaltece a vaidade
E se veste de arrogância
Não sabe da relevância
D’uma vida de verdade,
Pois a lei na realidade
Abrange qualquer sujeito
Morte não tem preconceito,
E não sei se tem critério
- RICO OU POBRE, O CEMITÉRIO
RECEBE DO MESMO JEITO.

(Dalinha Catunda)

Eu sempre me perguntei
Se quando alguém morria
O que era que acontecia
Com o tal fulano, não sei
Procurando muito, achei
Que para qualquer sujeito
Nascido bom ou com defeito
Não existe nenhum critério
- RICO OU POBRE, O CEMITÉRIO
RECEBE DO MESMO JEITO.

Seja rico ou seja pobre
Passa por essa mesma vida
Vivendo com sua medida
Do seu jeito único e nobre
Mas quando morre descobre
O destino do sujeito
Seja cidadão ou prefeito
Deixando de ser mistério
- RICO OU POBRE, O CEMITÉRIO
RECEBE DO MESMO JEITO.

Nós só temos uma certeza
É que a vida tem um norte
Que nos leva para a morte
Faz parte da natureza
E nisso temos clareza.
No mundo qualquer sujeito
Tem tudo o mesmo direito
Não se fazendo mistério
- RICO OU POBRE, O CEMITÉRIO

RECEBE DO MESMO JEITO.