quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

A história da pastora Marcela



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Peço ao deus da fantasia
Que me torne tagarela
Para contar num cordel
Uma estória mais que bela
Inventada por Cervantes
Sobre a história de Marcela.

Relatada em Don Quixote
Quando o mesmo caminhava
No clareira da floresta
Quando tudo observava
Na hora de um funeral
A pastora que chegava.

A chegada causou espanto,
Raiva, descontentamento
Alguns sentindo desprezo,
Revolta por sentimento
Da presença por zombar
Daquele falecimento.

O enterro ficará aqui
No centro desta floresta
Você volta um pouco atrás
Para saber que história é esta
Entre Marcela e Grisóstomo
E por que não acabou em festa.

Marcela nasceu formosa
De berço muito abastada
Tinha filosofia simples
De carinho foi cercada
A beleza lhe crescia
Entre todas, a desejada.

Decidiu viver isolada
Nos recantos da floresta
Como pastora de ovelhas
Levando a vida sem festa
Curtindo sua liberdade
Com uma alegria bem modesta.

Andando com seus animais
De um jeito bem animado
Apareceu-lhe Grisóstomo
Com seu proceder educado
Vendo ali a linda pastora
De súbito foi apanhado.

Grisóstomo fez de tudo
Para ter admiração
Flores, conversas, dinheiro
Falou de grande paixão
Em nada ela demonstrou
Que abriria seu coração.

Ela decidiu viver
Feliz naquela floresta
Pastorando seus animais
Fazendo o viver em seresta
Comendo dignamente
Saboreando a vida honesta.

A felicidade dela
Era viver em solidão
Longe dos desmerecidos
Que queriam seu coração
Tinha por mãe a natureza
Ser livre em convicção.

Era visita, elogio
E conversas com louvor
Em tudo se esquivava
Marcela sentindo horror
Depois de muito tentar
Ele se mata por amor.

Os amigos puseram a culpa
Em Marcelo por este norte
Como se ela fosse a causa
Ou se ela fosse a consorte
Para todos era homicídio
Esquecendo a causa-mortes.

Marcela não teve culpa
Da morte deste sujeito
Decidindo ir lá no enterro
Sabendo deste preceito
Falando a quem lá estivesse
Refutando o preconceito.

Ela segue na floresta
Para ver o sepultamento
Preparando suas palavras
Afinando o pensamento
Para que representasse
O âmago do sentimento.

A chegada foi a surpresa
Causada com grande espanto
Da mulher que era assassina
Despertando o desencanto
No enterro de Grisóstomo
Aumentando todo pranto.

Ela sobe uma colina
Sem pensar que seria presa
Confiando no seu discurso
Vislumbrando sua empresa
Assim foi como se deu
A fala da sua defesa:

- Toda beleza atrai o olhar
Sendo feita pra ser vista
Adentra no coração
Por todos sendo bem-quista
Despertando a fantasia
Pensamentos de alegria
Não tem ser que a ela resista.

“O amor não é obrigação
Daquele que veio bonito
Já pensou se eu fosse amar
Branco, preto, pobre e rico?
Uma Marcela pra o mundo
Não havia primeiro e segundo
Seria causa de fuxico.

“A beleza vem de Deus
Concedida sem pedido
Não se trata de desejo
Muito menos de castigo
É sofrimento a quem é feio
Que perdeu neste sorteio
Sem poder ser acudido.

“A beleza nunca é maior
Que a alma cheia de sentimento
Quem viver com honra e virtude
Tem a vida em contentamento
Mais relevante é avaliar
O que a mulher pode dar
Só depois vem o casamento.

“O desejo de cada um
Se alimenta de esperança
Meu falar foi negativo
Sem palavras de confiança
Mas ele sempre se iludia
Aumentando sua agonia
Quando eu negava a aliança.

“A vida é cheia de opções
Escolhi a felicidade
Sou feliz sendo pastora
Vivendo por caridade
Na floresta faço a vida
Dela extraio minha comida
Não vivo em comunidade.

“Para que serve a mulher?
Nasceu para obedecer
Criar filhos, amamentar
Cuidar da casa, cozer?
Eu pensei e fiz diferente
A decisão foi a semente
Que me fez sobreviver.

“Fui viver nesta floresta
Cercada de liberdade
Na companhia dos pássaros
Vivendo em fraternidade
Longe deste preconceito
Livre de qualquer sujeito
Que festeja na maldade.”

A pastora sai d’ali
Mais rápido que chegou
Só a inveja de pessoas
Que o silêncio não negou
Somente o bom cavaleiro
Para defendê-la falou:

- A pastora tem razão
Na palavra aqui falada
Quem não lhe estiver de acordo
Passo o fio da minha espada
Quem se atrever a lhe seguir
Terá a vida terminada.

Esta história de Cervantes
Serve para reflexão
Sobre o papel da mulher
Que nunca fez papelão
Mãe, esposa e companheira
Para qualquer situação.

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

A sabedoria


Agora neste momento 
A inspiração não é divina 
É preciso pôr em cordel 
Quando a língua não é ferina 
Deus fortalece a criação 
A vida mostra a doutrina.

Conhecer tudo da vida
Para compor a humanidade
Com tristezas, com alegrias
Pela dor a sagacidade
Na mente a Filosofia 
Que a vida dá em caridade.

Dor é a ferida que marca
Na voz da melancolia 
Afasta a satisfação 
Modifica a anatomia 
Trás para perto o morrer
Ensinando por ironia.

O acerto trás seu momento
De aprendizado abreviado
O erro causa uma tensão 
Para o percurso desviado
Observar este caminho 
Deixa o ser com aprendizado.

Os livros serão o caminho
Da força do ensinamento 
São professores à distância 
Trazendo conhecimento 
A quem lê, reflete e guarda
Dentro do seu pensamento.

Quanto mais tempo se vive
Mais tempo para pensar 
Situações vêm mais diversas
Não importando em que lugar
Sendo a idade a companheira
Para o saber acrescentar.

O momento da tristeza 
Propicia uma reflexão 
Para expandir o pensamento 
Levando a iluminação 
A mudança de caminho
Para a nova direção.

A literatura clássica 
Foi escrita com muito esmero
Antecipa sensações 
A vitória, o desespero 
Excita a imaginação 
O saber faz seu tempero.

A música tem sua letra 
De profundo aprendizado 
O artista compositor 
Observa o humanizado 
Imagina o sentimento 
Que do saber foi brotado.

Dinheiro não faz pensar
No caminho percorrido 
“- Se desse jeito ou daquele
Que será fortalecido?”
Depois de prejudicado 
É que se pensa o ocorrido.

Quando alguém prejudica o irmão 
E dentro sente o pecado 
Refletindo no ocorrido
Pondo aí significado 
Ganhará em sabedoria
Com o perdão será coroado.

O trabalho exige esforço 
De um ser colaborativo 
Repetindo movimentos
Embotando seu sentido 
Aquele que sai do mesmo
Torna-se homem mais criativo.

Outra forma de aprender 
É quando o ser se magoa
Após sofrer qualquer ofensa
Passando um tempo à toa 
Refletindo a situação 
Tendo em si um saber que voa.

Os filhos surgem na vida
Para trazer a reflexão 
Aos pais, que se transformam,
Mudando em convicção 
Aos enlevos da juventude 
Pelo amor do coração.

Na dificuldade criada
Por algum novo problema 
O ser usa a imaginação 
Para sair do seu dilema
Inventando a coisa nova
Vinda do seu estratagema.

Numa sala de uma escola
No banco da faculdade 
No momento do concurso 
Precisa a sagacidade
Para usar o conhecimento 
Ganhando em criatividade.

A ciência trás novidade
Renova o conhecimento 
Altera à sagacidade 
Longe do constrangimento 
Modifica a direção 
Dentro do pensamento.

Dentro do homem tem o desejo
Que eleva a necessidade 
Para facilitar a vida
Ganhando tranquilidade 
Tendo a tecnologia 
E o saber em velocidade.

O viver leva ao aprender
O aprender, a sabedoria 
Contida na convivência 
Nas conversas do dia-adia
Aumentada pela idade
Garantindo a harmonia.

A sabedoria é pessoal
Soberana e intransferível 
Não se transfere pagando
A parte que for cabível 
A sua aquisição requer
A paciência intransponível.

O saber está em toda parte
De uma forma peculiar
Dentro da comunidade
Onde reina o observar
A sabedoria coletiva
É o empírico popular.

sábado, 25 de maio de 2019

Conversa da dor com o sofredor



Quando o ser humano descansa 
E a vida tira um cochilo
Diminui com seus cuidados 
Não cuidando de seu estilo 
Por ali vai chegando a dor
Que esperou surgir um vacilo.

Pode atormentar qualquer um
Em qualquer local e momento 
Começar fina e traiçoeira
Trazendo constrangimento 
Pensamentos negativos 
Revolta por sentimento.

Dor com a idade, com a pancada
Por uma noite mal dormida
Após a cárie daquele dente
No abdome após a comida
Na queda que não queria
Na menstruação não esquecida.

Existe dor para tudo
Não respeita hora e lugar
Surge sem nem ter motivo
Querendo só maltratar 
Entra sem ter permissão 
Se instala sem perguntar.

Ninguém merece esta cruz
Nem perder a tranquilidade 
A descontração do dia
O riso e a simplicidade
A paz que reina o espírito 
Distanciar a felicidade.

De repente se percebe 
A inimiga companheira 
Querendo só perturbar 
Se fazendo de faceira 
Presente de forma cruel 
Falando desta maneira:

“-Cheguei aqui sem te pedir 
Sem respeitar este momento 
Querendo sua companhia 
Alegrando em sofrimento 
Para açoitar o coração 
Causando aborrecimento.

Não me importa seu querer
Gostar, rezar ou trabalhar 
Se tem relação com filhos
Ou no que quiser falar
Nem com a sua visão do mundo 
Nem o dinheiro, nem o lugar.

Vou começar devagarzinho 
Como quem nada quer
Aumentando de mansinho 
No lugar que me convier 
Aguardando seu sofrer
E o desespero que houver.

Você vai sofrer sem paz 
Com a força da tirania
Gemendo forte com dor
Em momentos de agonia
Vai chorar de desespero 
Nunca mais terá alegria.

Quando a força lhe voltar
Estarei com a agonia pronta
Porque na partida da vida
Estarei torcendo contra
A sua esperança de cura
Não faz parte desta conta.

Quando a sua oração for forte
Rezarei para a maldade
Que ela seja sempre um guia
Para eu usar a perversidade 
Estar sempre em pensamento 
Findando a tranquilidade.

Quando pensar no descanso
De uma noite bem dormida
Estarei aguardando o dia
Muito mais fortalecida 
Preparando seu organismo 
Para jamais ser esquecida.

Quando sentir o desespero
Da agonia e da frustração 
Estarei gritando forte
A poesia da humilhação 
Embotando os sentimentos 
E apertando o coração.

No momento do seu estresse
Vou fazer você lembrar
Que na vida do seu dia
Irei nunca me afastar 
Eu ficarei até mais forte
Da tristeza e do mal estar.

Quando você se tratar 
Eu diminuo a intensidade 
Passo uns tempos sem falar
Fazendo-lhe caridade 
Quando o remédio sumir
E retorno a atividade.

Quando pensar que fui embora 
Fui fazer visita ao cão 
Procurar como fazer
Para fazer mais aflição 
Sendo a agonia e o desespero 
Prêmio de consolação.

Quando rezares a seu Deus
Recitarei no seu ouvido 
Palavras de desamor 
Deixando-te sem sentido 
Pensamento de alegria 
Com seu corpo todo moído.

Quando pensar em se matar 
Darei início a depressão 
Para ver se tu vais mesmo
Surtar a tua imaginação 
Use veneno, dê um tiro
Se for a um prédio caia no chão.

Se algum dia você entender
Que sempre irei conversar 
E que não haverá maneira
Pra você se libertar
Só lhe restará uma coisa
Conviver sem reclamar.”

Esta conversa é travada
Por aquele que sente dor
Do momento que acorda
Até a hora do sonhador
Insistindo e convencendo 
Seja santo ou pecador.

Toda dor que for recente 
Será tratada e irá embora
Quando dela se esquecer
Da vida será senhora
Faça tudo pra não ter
Uma dor no seu agora.

domingo, 14 de abril de 2019

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