segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Ateu Trajano - Parte IV



A luz do dia se apagou
Começou uma escuridão
Bem em sua frente surgiu
A personificação
Do eterno mal absoluto,
Do anjo expulso do céu: o cão.

E o satanás foi dizendo:
- Olhe tudo ao teu redor
Ouro, dinheiro, poder
O céu, a terra, o cafundó
O mundo, o sol e as estrelas.
Tu nunca estarás só.

Tudo que tu precisares
Basta somente bramir
E na hora que tu quiseres
Eu farei tudo por ti
Se ajoelhe neste instante
E comece a me pedir.

Ficando de joelhos disse:
- Deus, pai, todo poderoso
Sempre neguei tua existência
Seja misericordioso
Levante minha mulher
Tire a vida deste esposo.

Neste instante de fé
Uma luz do céu foi caindo
Envolveu aquela mulher
Depois foi lhe restituindo
Toda força que perdeu
E que dela já ia partindo.

Trajano escuta uma voz
Bem distante lá no céu:
- Trajano, nunca repita
Este horroroso papel
Procure sempre ter fé
Seja de Deus um menestrel.

Criei tudo da humanidade
Para viver em comunhão,
Deixei-lhes o livre arbítrio
Pra tomarem decisão
De continuarem no mundo
Acreditando em mim ou não.

Quando você não quiser
Uma igreja frequentar
Mas mesmo assim deseje
Minha presença notar
Não fique me procurando
Comece ao seu irmão amar.

Trajano fica surpreso
Com a estranha situação
Faz a Deus uma pergunta:
- Deus, qual a melhor religião?
E escuta uma resposta
Pra tirá-lo da aflição.

- Eu entendo perfeitamente
Este teu intenso clamor
Mas não tenha nem sinta
Dúvida, raiva ou rancor
A única que eu considero
É o sentimento do amor.

Você pode ter certeza
Que existem vários caminhos
As religiões são livres
Tais quais são os passarinhos 
Para viverem este amor
Cada uma do seu jeitinho.

O tinhoso ouvindo tudo
Saiu bem depressa de lá 
Não quis nem dar uma palavra
Para Deus não lhe notar
Porque se houvesse contenda
Ele iria se complicar.

E depois deste momento
Trajano não duvidou
Da existência de um Deus
Que pra ele manifestou
Lhe tirando do aperreio
Quando Nele acreditou.

Quando qualquer um quiser
Sentir Deus pessoalmente
Basta demonstrar ter amor
Por alguém profundamente
Que Ele estará também
Ao seu lado eternamente.

Se você um dia quiser
Ao lado de Deus ficar
Não compre vaga no céu
Busque pessoas para amar
Praticando a caridade
E começando a perdoar.

Se você pessoalmente
Também se sente um ateu
Não fique preocupado
Deus a ti nada prometeu
Jesus é misericordioso
O céu também será teu.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

O Ateu Trajano - Parte III



Quando eles se deram conta
Perderam sua compostura
Foram procurar bem longe
Fora desta estrutura
Resolveram até apelar
Para o uso da acupuntura.

A medicina chinesa
Não ajudou nem atrapalhou
Depois de muitas sessões
Ela foi quem se afastou
Voltando para sua terra
Onde tudo começou.

A esposa foi aconselhada
Naquela situação grauda
A tomar um chá misterioso
De hortelã da folha miuda
Mas para fazer depressa
Se não ia ela ficar pra sauva.

Fez com pressa e devagar
A milagrosa bebida
Tomou no almoço e jantar
Fez vitamina e batida
Usou tanto que ficou
Com a mão toda dolorida.

Vivendo esta tormenta
Quase que a esposa pira
Depois de tanto sofrer
Foi buscar lá no caipira
Um remédio milagroso
No miolo da sucupira.

Testou caule, testou folha
Mas a dor só permanecia
Usava chá, comia a raiz
Quanto mais usava, mais doia.
Usou tanto que entojou
Quase que ela enlouquecia.

A mulher já bem cansada
E com grande frustração
Resolveu ir buscar ajuda
Em outra peregrinação
Procurando rezar um terço
No meio de uma procissão.

Depois de sua caminhada
Suas pernas foram doendo
Foi deitando-se na cama
Com os membros endurecendo
Seu marido foi chamado
Trouxe um pastor correndo.

Ele foi buscar um pator
Porque lhe deram um conselho.
Sem ter quem fosse ajudar
Foi buscar no destrambelho
Pois agora qualquer um
Poderia meter o bedelho.

O pastor pediu para ela
Suas mãos ir levantando 
Começou uma oração forte
E a Deus o pastor foi clamando
Dizendo que no outro dia
Ela iria se lavantando.

Quando Trajano acordou
Não dava para ver o dia
Ansioso para ver a cura
Que o pastor lhe prometia
Foi quando percebeu que
Os braços ela nem mechia.

Ele ficou estupefacto
Sem saber como fazer
Recebeu mais informação
De como se proceder 
Levá-la num centro espírita
Pra cirurgia receber.

Trajano levou sua esposa
Lá onde fora marcado
Começando o ritual
O médium ficou calado
Quando tudo terminou
Disse: - Foi finalizado.

Quando voltou para casa
Ai foi que ele percebeu
Deitando ela na sua cama
Ajeitando tudo seu
Que não deu mais uma palavra
Porque ela quase morreu.

Trajano nesse instante
Foi a situação entender.
Vendo a sua amada esposa
Naquele eterno sofrer
Por mais que fizesse só
Sozinho não iria vencer.

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O Ateu Trajano - Parte II




Noite após noite Trajano
Tinha este pesadelo
Não faltava um pedaço
Sendo no mesmo modelo
Quando ele ia para sua cama
Ouriçava seu cabelo.

O sonho só foi embora
Quando sua mulher adoeceu
Uma grande dor no corpo
De repente apareceu.
Resolveram dar um tempo
Mas sua dor permaneceu.

Era uma dor muito forte
Na ponta do coração
Que aparecia todo dia
Naquela mesma ocasião
Todo dia, toda semana
Parecendo assombração.

Foram procurar um médico
Para entender o problema
Que analisou toda história
Envolvida nesta cena
Depois de lhes ouvir disse: 
- Nada sei sobre este tema.

Eles retornaram a casa
Sem conseguir perceber
Como poderia à esposa
Com aquela sina viver
E todo dia na mesma hora
Sua esposa sempre a gemer.

Uma cartomante veio
Fazer a leitura da mão
Olhou pra linha da vida,
A mesma do coração,
Mas serviu pra advinhar
A fortuna e a vocação.

Eles foram procurar
Um morador do cangaço
Para saber como o caboco
Resolve este embaraço
Que depois de explicar
Aplicou sangue no braço.

Foram passando semanas
E o sangue não resolvia
Eles foram persistindo
Na famosa terapia
Quanto mais aplicava o sangue
Bem mais é que o coração doia.

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Ateu Trajano - Parte I



Eu fui um dos que duvidava
Que Ele pudesse existir
Ai me encontrei com o cão,
Parei para dele ouvir
A estória de Trajano
Que resolvi contar aqui.

Conhecido por Trajano.
Não acreditava em Deus
Não nasceu rico nem pobre.
No Brasil ele conheceu
As diferenças de credo
Perseverando-se ateu.

Quando Trajano pensava
No que era mais relevante
Ele nunca titubeava
Nem demorava um instante
Pensava sempre consigo: 
"Minha esposa é mais importante".

Quando perguntavam pra ele
O quê de Deus ele pensava
Ele sempre respondia
Que Nele não acreditava
Porque a uns dava bondade
Já pra outros a desgraça dava.

E que se Deus fosse o bem
Do universo absoluto
O mal não reinaria a terra
Nem ficaria impoluto
Por que quando o mal se chega
Deus não sai do estado bruto?

Que se Deus existisse mesmo
Por que enviaria Jesus
Bem no meio de um povo
Que não o veria como a luz?
Ainda como não bastasse
Morreu preso numa cruz.

Os anos foram se passando
E Trajano não mudava
Os problemas iam chegando
Ele sempre blasfemava
Para toda situação
Ele de tudo cassuava.

Um dia ele teve um sonho
Que passou mais ou menos assim:
Dormia numa escuridão
Numa quietude sem fim
Apareceu-lhe um monstro
Com seus chifres de marfim.

Voou bem para cima dele
Cobrindo-lhe com uma capa
Que onde encostava doia
Como se levasse um tapa
Descobrindo-o o monstro disse:
- Aceita, ou então se mata.


CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Alagoas em Desobediência Civil




Alagoas vive momentos
Onde a polícia tem medo
Tamanho está o labaredo
Dos bandidos rabugentos.
Vejo nossos sentimentos
Que são de extrema revolta
Pois tudo a nossa volta,
Cheira a uma perseguição,
De polícia pra ladrão
Que lhes prende e juíz solta.

Todo mundo tem direito
De passear pela rua
Sem temer por vida sua
Como sendo um bom sujeito.
Tal como os nossos prefeitos
Que tudo nos prometeram 
Depois se esqueceram
Do que tinham prometido
Deixando todo bandido
Alegre e bem satisfeito.

Hoje a polícia não faz
Tudo que devia fazer
E o povo começa a ver
Os males que isso trás
Assim como tem outros mais
Pegando alguns bandidos
Que assaltam desprevenidos
Com arma firme na mão
Sendo tombados no chão
Pelo povo esbaforido.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Aprendendo a desenhar!

Agora que comecei
Vou prestar neste momento
Uma palavra pra todos
Fazer um esclarecimento
Pintar com o bastão pastel
É difícil pra dedel
Causa até estranhamento.

Minha querida Alexa Dias
Até que tentou bastante
Pegando na minhão mão
De modo bem delirante.
Mas é que o problema foi meu
Não acreditei no que deu,
Um desenho extravagante.


Vocês tão vendo a maçã
Ai neste lindo desenho?
Foi no que tentei fazer
De um modo bem ferrenho
Quanto mais isso tentava
Ai é que Alexa me falava:
- Melhore o seu desempenho!

Obs.: Alexa é a minha professora de desenho.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Maior Criação do Homem


Deus todo poderoso
Com sua bondade infinita
Fez uma criação favorita
No cosmo maravilhoso
Com tudo sendo vistoso
Neste mundo em que nascemos
Vivemos e depois morremos
Partindo da nossa casa
Como se tivéssemos asa
Perto Dele renascemos.

Deus todo poderoso
Usou todo seu poder
Pra Dele fazer nascer 
O humano maravilhoso.

O homem quando faz sua cria
Em nada possui poder
Nada consegue fazer
Sem a sua tecnologia
Como se fosse magia
Usada para criar
E um vírus divulgar
Pra travar computador
Do homem que é trabalhador
Para a alegria silenciar.

O homem quando faz sua cria
Tentando fazer invenção
Buscando renovação
Não faz mas que alegoria.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

BICO DE LAMPARINA

Mary-Lucy

A vaca de mãe era bela
Mui mimosa e preferida
A Bico de lamparina
Passava a vida sumida
A venta era tinta preta
E nunca ficou parida

A vaca não dava cria
E pai dela não gostava
E a bichinha ela sabia
Que só mamãe a tolerava
Era igual a forrageira
A comida devorava!

E era sim terna e dengosa
E assim a  vida a levava
Vindo a “marvada” da seca
Mesmo assim ela luxava
A pobre de lamparina
Pras tiras fora levada!

Mãe ficou muito aperreada,
Tratou dela com ração
A bichinha já era velha
Deus tem dela compaixão!
Quero Lamparina morta,
A sofrer neste torrão!

E Bico de Lamparina,
À tarde bateu suas botas
E Mãe toda chorosa era
Lamentando a vaca morta
Mas disse, Deus obrigada,
E livrai-me de outra morta !

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Salmácis e Hermafrodita





A ninfa e bela Salmácis
Era uma graciosidade
Que vivia a beira dos rios
Fazendo suas amenidades
Não era um espírito novo
Mas também não tinha idade.

Em um belo dia na relva
Salmácis notou a presença
De um homem jovem lindo
Que surgiria sem audiência
Bem ali do outro lado do rio
Lhe fazendo indiferença.

E foi amor a primeira vista.
Enquanto ele mergulhava
Ela deu a volta na margem
Ficando muito encantada
Com o filho da deusa Vênus
E sua bela agilidade.

Quando d'aquela água saiu
Deu de cara justo com ela
Lhe encarando com firmeza
Tal qual amor de Cinderela
Ele nadou pra outra margem
Se distanciando dela.

Ela não se fez de tonta
Não ficando ali parada
Porque o Cupido lhe deu
Uma flecha pra ser amada
Entraria nesta batalha
Para matar, ou ser matada.

Ao chegar na tal floresta
Ele ficou sem ter saída
Por Salmácis foi agarrado
Perdendo esta partida
Tentando mui se afastar
Da louca espavorida.

E quanto mais ele tentava
Mais força ela fazia
Agarrando-lhe com as pernas
Ao jovem ela se prendia
Mas forte, ele a empurrava
E a tristeza aparecia.

Quando ela percebeu que
Não haveria ali solução
Resolveu pedir a seus deuses
Que fizessem uma união
Porque achou sua alma gêmea
Na estranha situação.

Os deuses lhe responderam
Com uma solução bendita
Fizeram a metamorfose
Que para ele foi maldita.
Seu nome disse sua sina,
Se chamava Hermafrodita.