"Sôdade dentro do peito é qual fogo de monturo, pru fora tudo prefeito, pru dentro fazendo furo." (Patativa do Assaré)
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
Inspiração

Às vezes penso comigo
Querendo ter uma visão
De algo presente na vida
Pra fazer composição
E assim vou dando início
Ao processo de criação.
Quando não vejo mais nada
Nesta vida tão terrena
Eu começo a procurar
Outro tipo de emblema
Depois de muito pensar
Começo a fazer meu poema.
Se nesta vida não existe
Nada que me traga sorte
Vou procurar escrever
Algo pra depois da morte
Servindo-me bem este tema
Como a bússola e seu norte.
Se nem vida nem na morte
Eu tenho o que escrever
Passo a pensar nas entidades
E no que vieram fazer
Pedindo para eles próprios
Para inspiração ter.
Quando nada mesmo assim
Surge pra pôr num papel
Eu começo a fazer contas
Que pensei na terra e céu
Peço então a Jesus Cristo
Que me mostre um cordel.
Se depois de tudo isso
Não conseguir fazer nada
Fico igualmente a uma criança
Com cara de assustada
Começo a pensar em algo
De estória encantada.
Se perceber depois disso
Que nada de bom me sai
Vou ficando no meu canto
Sem poder escrever um ai
Guardo tudo com carinho
Da caneta ao caderninho
Tendo fé que um dia sai.
domingo, 10 de agosto de 2014
Ao Dia dos Pais
Desenho de Alexa Dias Cavalcante - 2013
Eu estive procurando
Um cordel alegre pra olhar
Sobre este dia dos pais
Para poder me alegrar
Tomei um grande espanto
Quebrando todo meu encanto
Quando nada fui encontrar.
Quando jovem era solteiro
Não me dava conta disto
Ser pai ou mesmo ser mãe
Era só um termo arisco
Passando-se um bom tempo
Fui aos poucos tomando tento
Comecei a passar por isto.
Ser pai um é maravilhoso
A vida ganha sentido
Antes era tudo pra mim
Agora o tempo é invertido
Tudo do que na vida há
Vai mudando de lugar
Para a prole mais querida.
Seu trabalho tem mais cor
A vida fica mais clara
O aprendizado é intenso
Quem do filho se separa?
Ganhando conhecimento
Vida passa, o amor dispara.
Agradeço a Deus essa dádiva
Por ter sido um dia pai
Dele ter me dado filhos
Fortes como um samurai
Para dar-lhes educação
Carinho, compreensão
Seus valores e muito mais.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
O desenho e o Desenhista

Todo desenho começa
Antes da sua execução
Quando o artista se enche
De alguma inspiração
Pensando como seria
Este motivo em sua mão.
Ai pega qualquer papel
Nele coloca seu punho
Com a força do pensamento
Sai d'ali um redemunho
Passando um pouco de tempo
Aparece um rascunho.
Quando a mão sai do papel
Parece definitivo
Mas aquele pobre rascunho
Está ainda bem primitivo
Que passa por correção
Tornando-se apreciativo.
Terminada a correção
Ainda grita o pensamento
Porque no papel está
Algo sem ter acabamento
Ai dana-se a passar o lápis
Criando um deslumbramento.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Correr, Cair, Levantar

Correndo no chão cai
Tava pensando na vida
Quando levei um escorregão
Interrompendo a corrida.
Ruim é sentir dor
Porque sou trabalhador
Quando voltar a atividade
Não quero segurar em pau
Pra não indicarem hospital
Foi um problema da cidade.
Tristeza sem ciclovia
Nem local para correr
As pessoas todavia
Querem esporte fazer.
Qualquer coisa serve
Que nossa saúde preserve
Na cidade que da dó
Com assaltos e tirania
Que vemos aqui todo dia
Tristemente na Maceió.
terça-feira, 22 de julho de 2014
Fábula do Conselho dos Ratos em Cordel
O Conselho dos Ratos

Entre todos as feras lindas
Ele era o mais lindo gato
Batizado Rodilardo
Conhecido esgana-rato.
Dentre todas as qualidades
Nasceu um assassino nato.
Fosse noite ou mesmo dia
Nada ao gato escapava
A uns ratos ele mordia
Já a outros, a fera esganava
Comia quem ali aparecia
Fosse quem fosse, pegava.
Não perdoava ninguém
Sendo por todos odiado
Ninguém conseguia notar
Sua presença no telhado
Era a fera mais temida
Por diabo era comparado.
De repente apareceu
Algo assim diferente
Ele ficando parado
Às vezes indiferente
Buscava em toda parte
Remédio pra dor de dente.
Os ratos em grande número
Quiseram fazer reunião
Para juntos discutirem
A temida situação
Para eles pensarem juntos
E buscarem solução.
Um rato disse assim:
- A situação não tem graça
Se não pensarmos em algo
Haverá grande desgraça
Rodilardo tem prazer
Em extinguir nossa raça.
Bem alto outro falou assim:
- Passou na minha vinheta
Socorrermos a dor do gato
Pra que ela desapareça
Em troca nós lhe poremos
No pescoço uma sineta.
A ideia foi logo aprovada
Sendo de grande prudência
Quando ele movimentasse
Sentiriam sua presença
Sairiam d'ali correndo
Sem com a fera ter audiência.
Depois de muito falarem
Foi chegada a aprovação
Ficando uma grande dúvida
No local da discussão
Quem seria o herói executor
Do plano de salvação?
Muitos foram inquisitados
Para com o gato falar
Mas ninguém teve coragem
De perto dele chegar
E ninguém se apresentou
Para o plano executar.
Como rato algum surgiu
Para aquela situação!
A dor desapareceu
Rodilardo ficou são
Mais com pouca retornou
Ao seu papel de extinção.
Depois surgiu um consenso
Criado na assembléia geral
Que as facetas de um problema
Que prece ser fatal
Pode exigir um remédio
Às vezes pior que seu mal.
La Fontaine foi citado
Nas estórias de outros autores
Para as mais variadas classes
E todos os consumidores
Mas este foi dedicado
Aos meus queridos leitores.
Entre todos as feras lindas
Ele era o mais lindo gato
Batizado Rodilardo
Conhecido esgana-rato.
Dentre todas as qualidades
Nasceu um assassino nato.
Fosse noite ou mesmo dia
Nada ao gato escapava
A uns ratos ele mordia
Já a outros, a fera esganava
Comia quem ali aparecia
Fosse quem fosse, pegava.
Não perdoava ninguém
Sendo por todos odiado
Ninguém conseguia notar
Sua presença no telhado
Era a fera mais temida
Por diabo era comparado.
De repente apareceu
Algo assim diferente
Ele ficando parado
Às vezes indiferente
Buscava em toda parte
Remédio pra dor de dente.
Os ratos em grande número
Quiseram fazer reunião
Para juntos discutirem
A temida situação
Para eles pensarem juntos
E buscarem solução.
Um rato disse assim:
- A situação não tem graça
Se não pensarmos em algo
Haverá grande desgraça
Rodilardo tem prazer
Em extinguir nossa raça.
Bem alto outro falou assim:
- Passou na minha vinheta
Socorrermos a dor do gato
Pra que ela desapareça
Em troca nós lhe poremos
No pescoço uma sineta.
A ideia foi logo aprovada
Sendo de grande prudência
Quando ele movimentasse
Sentiriam sua presença
Sairiam d'ali correndo
Sem com a fera ter audiência.
Depois de muito falarem
Foi chegada a aprovação
Ficando uma grande dúvida
No local da discussão
Quem seria o herói executor
Do plano de salvação?
Muitos foram inquisitados
Para com o gato falar
Mas ninguém teve coragem
De perto dele chegar
E ninguém se apresentou
Para o plano executar.
Como rato algum surgiu
Para aquela situação!
A dor desapareceu
Rodilardo ficou são
Mais com pouca retornou
Ao seu papel de extinção.
Depois surgiu um consenso
Criado na assembléia geral
Que as facetas de um problema
Que prece ser fatal
Pode exigir um remédio
Às vezes pior que seu mal.
La Fontaine foi citado
Nas estórias de outros autores
Para as mais variadas classes
E todos os consumidores
Mas este foi dedicado
Aos meus queridos leitores.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Uma pequena dose de amor - Francisco Antônio

Eu li um outro dia um cordel
Falando do velho amor
E do coração do povo
Que tá cheio de rancor
E como isso aconteceu
Sem a mão de Nosso Senhor.
Antônio Francisco autor
Foi quem teve inspiração
De como foi acontecer
Para encher o coração
De tristeza, ódio, rancor
Inveja e de negação.
Cordel lindo. Para ver clique abaixo.
http://mundocordel.blogspot.com.br/2007/11/cordel-de-antonio-francisco.html
Hoje ainda falta em nós
Aquela dose de amor
Porque no Brasil tem gente
Que não vive, é sofredor
Na oportunidade vinda
Acaba-se o explendor.
Andando por nossas ruas
Com total descontração
Carregando alguns pertences
Forte na palma da mão
Aparece um qualquer
Se fazendo de ladrão.
A escola anda um caos
Todo mundo tendo zero
Os responsáveis por tudo
Ficam agindo tal Lutero
Prometem mudar de tudo
Não passa de um lero.
Quando você vai a seu médico
Fazer àquela sua consulta
Enfrenta filas tão grandes
O atendente lhe insulta
Acorda de madrugada
Só para esquentar sua cuca.
Quando chegam as eleições
O político promete
Quando eles ganham no pleito
Ninguém nem se compromete
Dizem logo ao seu povão:
- Tome tento, não se mete.
Seria tudo diferente
Se pudéssemos viver
Com aquela dose de amor
Que o homem deixou de ter
E agora fico pensando:
"Que poderemos fazer?".
terça-feira, 8 de julho de 2014
A Pomba e a Formiga em Cordel
Foi num belo dia que a pomba
Quis sua sede saciar
Desceu rápido do céu
Numa fonte vai pousar
Bebendo sua água bastante
Sem nada a lhe preocupar.
De súbito ela percebe
Grande perigo a sua frente
Por ali estava uma formiga
Que tropeceu num acidente
Escorregou e caiu na fonte
Querendo sair urgente.
A pomba observou tudo
Ficando compadecida
Do quase falecimento
D'aquela triste formiga
Jogando-lhe uma ervilha
Saindo d'ali em seguida.
A ervilha que foi jogada
Bem naquela ocasião
Recuperou aquela vida
D'aquela ultimação
Esperando a tal formiga
O dia da retribuição.
Caminhando pelas matas
Ela ouviu um palavriado
De um caçador descalço
Com um rifle já apontado
Para à pomba descontraída
Sem a ameaça ter-lhe notado.
Ele pensava baixinho:
"Hoje acertarei aquela
Com certeza a comerei
Assadinha na panela,
Eu só tenho que acertar
O tiro que darei nela."
A formiga muito esperta
Correu bem apressadamente
Pra junto do caçador
Usando forte seu dente
Para dar-lhe uma mordida
Que o fez atirar diferente.
Assim se deu aquela estória
Sem haver comemoração
Por parte do caçador
Que resolveu sua aflição
Contando com o pensamento
Sem ter nada na sua mão.
Há muita gente acredita
Que de nada serve o bem
Não fazendo caridade
Sem nunca ajudar ninguém,
Mas qual o propósito do homem
Sem a presença de outro alguém?
Não sei como Lafontaine
Fazia tanta gozação
Criando estórias com bichos
Pra chamar nossa atenção.
Ele no seu tempo foi
Grande gênio da criação.
sábado, 28 de junho de 2014
O caminho da felicidade
Dedico este cordel e o momento de reflexão ao meu querido amigo Aldemar que me faz pensar coisas que não quero
Um dia perguntei ao meu mestre
Como ele tinha banido
A tristeza da sua vida
Porque nunca o vi sofrido.
Sem demora respondeu:
- Venha refletir comigo.
Imagine em alto mar
Um barco movido a vela
Em um dia maravilhoso
Motivo para fazer tela
Quando o vento muda o rumo
Um caráter se revela.
Se a pessoa ficar parada
Deitando-se ali no chão
Ficando entristecida
Cheia de introspecção
A sua característica
Com certeza é depressão.
Se a pessoa ficar em pé
No seu íntimo pensando
Coisas lindas e bem legais
Nós assim vamos lhe dando
Diagnóstico otimista
Porque alegre vai ficando.
Se a pessoa ficar em pé
Reclamando para o vento
Por dentro bem negativo
Não sentindo nenhum alento
Não passará de um belo
Pessimista ou rabugento.
Agora, se ajustar a vela
Mudando o ponto de vista
Fazendo tudo que pode
Como se fosse um analista
Para mim será chamado
De verdadeiro realista.
Depois que você me ouviu
Dando esta explicação
Deverá também escolher
Qual foi a identificação
Que você escolherá
Para fazer reflexão.
Fiquei naquele momento
Pensando em tudo parado
Ele continuou falando
Eu permaneci calado
Porque aquilo me tocou
Eu havia me identificado.
Depois deste encontro nosso
Eu não parei de pensar
Sobre as palavras do mestre
Pra me sensibilizar
Mas eu ainda não decidi
Qual atitude irei tomar.
A vida toda eu passei
Deitado ou reclamando
Nunca parei pra pensar
Como a vida fui passando
E que a questão é decisão
Pra feliz ir me tornando.
terça-feira, 24 de junho de 2014
O Martírio de Liliana - Parte IV
Arte da Capa de Alexa Dias
Vamos
deixar Afonso só
Com
seus irmãos desconfiado
Tentando
modificar
O
que já estava criado
Ludibriá-los
a todo custo
Era
o seu plano traçado.
Vamos
ver como Liliana
Fez
para sobreviver
O
que foi que aconteceu
Sem
ter muito pra comer
E
como a sorte proveio
Para
ela não falecer.
Liliana
por várias vezes
Tentou
de casa sair
Sua
comida era só pão e água
Nem
a TV para assistir
Começando
a emagrecer
E
sua beleza a sumir.
Quando
Liliana comia
Os
vinte e quatro reais
Somente
lhe restavam a água
Migalhas,
unhas e nada mais
Seus
cabelos foram caindo
Seus
braços finos demais.
Liliana
já não sabia
O
que poderia fazer
Trancada
dentro de casa
Sem
nada para comer
Começou
a pedir pra Deus
A
coragem pra morrer.
Todo
dia ela se acordava
Já
por dentro com agonia
Sem
poder se levantar
Vivendo
sob tirania
Nada
ali modificava
Pra
mudar a melancolia.
Resolveu
ficar no chão
Estirada
na cozinha
Onde
pegava seu pão
E
um pouco de farinha
Que
o marido utilizava
Para
alimentar galinha.
Desolada
no local
Resolveu
não sair mais
Porque
se ficasse em pé
De
fraca caia para traz
E
tudo que ela comia
Era
vinte quatro reais.
Sofrendo
intensamente
Sem
forças para falar
Com
o sentimento na fome
Contrita
pôs-se a pensar:
"Deus,
será que foi tão grave
Que
ele não possa perdoar?"
Quando
começava o mês
Recomeçava
com o pão
Sem
forças pra levantar
Com
marcas de inanição
Comendo
até as migalhas
Nunca
recebeu o perdão.
Aqueles
dias se passavam
Sem
nunca nada mudar
Ela
dentro de sua casa
Ele,
sempre a trabalhar
Ela
triste lá no chão
Ele,
alegre a gargalhar.
Até
que um dia ela ouviu
Alguém
bater na sua porta
Quase
sem força no chão
Caída,
fraca e toda torta
Tentou
sussurrar: - Socorro.
Sem
forças já quase morta.
Da
porta ouviu um barulho
De
alguém querendo entrar
Eram
os irmãos de Afonso
Querendo
investigar
Por
que ninguém nunca a via
Onde
ela poderia estar.
Quando
entraram disseram:
-
Vejam! Que horror! Que loucura
Liliana
desfigurada
A
casa não tem ternura
Vamos
tirá-la d'aqui
Antes
que vá a sepultura.
Quando
Afonso entrou em casa
Foi
vendo o que se passava
O
que seus irmãos faziam
Em
nada argumentava
Saiu
de casa para um bar
E
tudo que via, tomava.
Liliana
foi resgatada
Desnutrida
e com ferida
Por
todos os irmãos de Afonso
Que
depois deram guarida
Garantindo
proteção
Para
retomar sua vida.
Afonso
virou alcoólatra
D'aquele
inveterado
Saindo
do seu emprego
Tornou-se
grande viciado
Continuou
bebendo tudo
Nunca
mais ficou casado.
O
cordel termina aqui
Eu
gostei foi muito desta
Agradeço
a Deus porque
A
inspiração me empresta
Ainda
agradeço também
Àquele
que me contou esta.
Traição
sempre existirá
Na
história da humanidade
Alguns
concedem o perdão
Outros,
fazem atrocidade.
Quem
tem Deus no coração
Vive
com fraternidade.
Todo
ser humano da Terra
Poderá
algum dia errar.
Fácil
é cometer um pecado
Difícil,
é a razão calar.
Divino
é entender tudo
Forte,
é quem sabe perdoar.
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