segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Memórias Póstumas de Brás Cubas em Cordel - Parte IV


RESENHA DA OBRA

Machado de Assis nasceu e morreu no Rio de Janeiro (1839 a 1908). É um dos maiores escritores da literatura brasileira tendo obras em vários gêneros literários como a poesia, romance, dramaturgia, contista e também foi em certa época um crítico literário. As suas grande obras-primas foram: Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias póstumas de Brás Cubas.

A obra Memórias póstumas de Brás Cubas foi lançada em 1881 e inaugura o Realismo no Brasil e deixa o Romantismo de lado para escrever de forma irônica e bem humorada sua observação sobre o comportamento humano. A obra trata de um defunto-autor que conta, com toda a sua sinceridade, tudo que se passou durante sua vida inclusive seus amores e a vida de uma mulher adúltera e também seu grande amor em vida, Virgília.

O autor, Machado de Assis, escreve a estória o defunto como se a vida fosse passando e assim põe várias passagens de momentos que em si não levam a grande emoções nem a maiores desfechos no livro. Ele mesmo, enquanto autor-defunto, escreve que o livro é enfadonho e assim o parece mesmo, mas o que torna o livro um grande sucesso também é seu olhar para o comportamento humano, a filosofia e propriamente a sua forma de escrever.

"Amável formalidade, tu és, sim, o bordão da vida, o bálsamo dos corações, a medianeira entre os homens, o vínculo da terra e do céu; tu enxugas as lágrimas de um pai, tu captas a indulgência de um Profeta. Se a dor adormece e a consciência se acomoda, a quem, senão a ti, devem esse imenso benefício?"

A obra se destina ao público adolescente, adulto e aos professores de literatura que podem abordar as descrições dos personagens como verdadeiras obras do Realismo.


CORDEL

Vivendo esta rotina
De amores e também de amantes
Chamou a atenção do marido
Para o local aconchegante
Que quase pegava os dois
Em situação conflitante.

Passando esse episódio
O marido descontente
Recebeu um novo convite
Pra o cargo de presidente
Arrumando seus picuás
E saindo d'ali urgente.

Virgília foi-se embora
Conviver com seu marido
Distante d'aquele amor
Que ficaria esquecido
E que só existiu de fato
Por que foi bem escondido.

Cubas tenta ainda casar
Mas a noiva foi padecendo
De uma enfermidade grave,
Foi ela se desvanecendo.
Morreu de Febre Amarela
E ele foi se envelhecendo.

Em muitas aventuras suas
Foi tentando se meter
Mas a sua condição de velho
Não parava de crescer
Aquela idéia do emplasto
Foi assim lhe aparecer.

E assim termina a estória
Contada por um escritor
Que primeiro foi morrer
Para tornar-se um autor
Narrando toda sua vida
E também seu grande amor.

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