terça-feira, 29 de outubro de 2013

Memórias Póstumas de Brás Cubas em Cordel - Parte II


RESENHA DA OBRA

Machado de Assis nasceu e morreu no Rio de Janeiro (1839 a 1908). É um dos maiores escritores da literatura brasileira tendo obras em vários gêneros literários como a poesia, romance, dramaturgia, contista e também foi em certa época um crítico literário. As suas grande obras-primas foram: Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias póstumas de Brás Cubas.

A obra Memórias póstumas de Brás Cubas foi lançada em 1881 e inaugura o Realismo no Brasil e deixa o Romantismo de lado para escrever de forma irônica e bem humorada sua observação sobre o comportamento humano. A obra trata de um defunto-autor que conta, com toda a sua sinceridade, tudo que se passou durante sua vida inclusive seus amores e a vida de uma mulher adúltera e também seu grande amor em vida, Virgília.

O autor, Machado de Assis, escreve a estória o defunto como se a vida fosse passando e assim pôe várias passagens de momentos que em si não levam a grande emoções nem a maiores desfechos no livro. Ele mesmo, enquanto autor-defunto, escreve que o livro é enfadonho e assim o parece mesmo, mas o que torna o livro um grande sucesso também é seu olhar para o comportamento humano, a filosofia e propriamente a sua forma de escrever.

"Amável formalidade, tu és, sim, o bordão da vida, o bálsamo dos corações, a medianeira entre os homens, o vínculo da terra e do céu; tu enxugas as lágrimas de um pai, tu captas a indulgência de um Profeta. Se a dor adormece e a consciência se acomoda, a quem, senão a ti, devem esse imenso benefício?"

A obra se destina ao público adolescente, adulto e aos professores de literatura que podem abordar as descrições dos personagens como verdadeiras obras do Realismo.



CORDEL

Quando chegou, já era tarde
Sua amada mãe havia morrido.
Ficou triste, desolado
Pensativo e combalido.
Mudou-se para outra casa
Bastante entristecido.

Depois de passar um tempo
Após esta triste partida
Seu pai lhe resolveu
Fazer-lhe boa investida
Para que seu Brás pudesse
Mudar a situação de vida.

A investida foi um pedido:
Política e o casamento.
Ele não queria pra si
Nenhum comprometimento
Mas seu pai era perpicaz
Conseguiu consentimento.

Brás resolveu visitar
Em meio a esta situação
Uma amiga do passado
Com quem ele fez malcriação
Que ajudara sua mãe
Na hora da sua expiação.

Esta senhora era Eusébia
Que tinha sido casada
Sendo mãe de uma filha
Jovem de perna aleijada
Fruto de um amor proibido
Sendo por ela muito amada.

A jovem era recatada
Espirituosa e donzela
Apaixonou-se por Brás,
Ele nem tchum para ela
Depois de rouber-lhe um beijo
Correu para longe dela.

Voltando para sua casa
Foi transmitir ao pai a resposta
Que em outrora havia lhe feito
Uma estranha proposta
Embora também quisesse
Sua atitude era indisposta.

A tal proposta era boa
Porém tinha um teorema
Cubas deveria casar
E este era o problema
Ele nunca quis casar
E nem outro tipo de algema.

Depois de muito pensar
Ele até tentou mudar
Porém havendo hesitação
Outro tomou seu lugar
Com a noiva que era Virgília
Que com outro foi se casar.

Seu pai que lhe amava muito
Sofreu com muito desgosto
Ficou por meses bem triste
Dentro de casa indisposto
Até que lhe veio a sua morte
Morrendo-se a contragosto.

Só depois de muito tempo
Brás Cubas foi encontrar
Com esta bendita Virgília
Em um baile a se alegrar
E depois de várias danças
É que o amor foi começar.

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