segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O Ateu Trajano - Parte II




Noite após noite Trajano
Tinha este pesadelo
Não faltava um pedaço
Sendo no mesmo modelo
Quando ele ia para sua cama
Ouriçava seu cabelo.

O sonho só foi embora
Quando sua mulher adoeceu
Uma grande dor no corpo
De repente apareceu.
Resolveram dar um tempo
Mas sua dor permaneceu.

Era uma dor muito forte
Na ponta do coração
Que aparecia todo dia
Naquela mesma ocasião
Todo dia, toda semana
Parecendo assombração.

Foram procurar um médico
Para entender o problema
Que analisou toda história
Envolvida nesta cena
Depois de lhes ouvir disse: 
- Nada sei sobre este tema.

Eles retornaram a casa
Sem conseguir perceber
Como poderia à esposa
Com aquela sina viver
E todo dia na mesma hora
Sua esposa sempre a gemer.

Uma cartomante veio
Fazer a leitura da mão
Olhou pra linha da vida,
A mesma do coração,
Mas serviu pra advinhar
A fortuna e a vocação.

Eles foram procurar
Um morador do cangaço
Para saber como o caboco
Resolve este embaraço
Que depois de explicar
Aplicou sangue no braço.

Foram passando semanas
E o sangue não resolvia
Eles foram persistindo
Na famosa terapia
Quanto mais aplicava o sangue
Bem mais é que o coração doia.

CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Ateu Trajano - Parte I



Eu fui um dos que duvidava
Que Ele pudesse existir
Ai me encontrei com o cão,
Parei para dele ouvir
A estória de Trajano
Que resolvi contar aqui.

Conhecido por Trajano.
Não acreditava em Deus
Não nasceu rico nem pobre.
No Brasil ele conheceu
As diferenças de credo
Perseverando-se ateu.

Quando Trajano pensava
No que era mais relevante
Ele nunca titubeava
Nem demorava um instante
Pensava sempre consigo: 
"Minha esposa é mais importante".

Quando perguntavam pra ele
O quê de Deus ele pensava
Ele sempre respondia
Que Nele não acreditava
Porque a uns dava bondade
Já pra outros a desgraça dava.

E que se Deus fosse o bem
Do universo absoluto
O mal não reinaria a terra
Nem ficaria impoluto
Por que quando o mal se chega
Deus não sai do estado bruto?

Que se Deus existisse mesmo
Por que enviaria Jesus
Bem no meio de um povo
Que não o veria como a luz?
Ainda como não bastasse
Morreu preso numa cruz.

Os anos foram se passando
E Trajano não mudava
Os problemas iam chegando
Ele sempre blasfemava
Para toda situação
Ele de tudo cassuava.

Um dia ele teve um sonho
Que passou mais ou menos assim:
Dormia numa escuridão
Numa quietude sem fim
Apareceu-lhe um monstro
Com seus chifres de marfim.

Voou bem para cima dele
Cobrindo-lhe com uma capa
Que onde encostava doia
Como se levasse um tapa
Descobrindo-o o monstro disse:
- Aceita, ou então se mata.


CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Alagoas em Desobediência Civil




Alagoas vive momentos
Onde a polícia tem medo
Tamanho está o labaredo
Dos bandidos rabugentos.
Vejo nossos sentimentos
Que são de extrema revolta
Pois tudo a nossa volta,
Cheira a uma perseguição,
De polícia pra ladrão
Que lhes prende e juíz solta.

Todo mundo tem direito
De passear pela rua
Sem temer por vida sua
Como sendo um bom sujeito.
Tal como os nossos prefeitos
Que tudo nos prometeram 
Depois se esqueceram
Do que tinham prometido
Deixando todo bandido
Alegre e bem satisfeito.

Hoje a polícia não faz
Tudo que devia fazer
E o povo começa a ver
Os males que isso trás
Assim como tem outros mais
Pegando alguns bandidos
Que assaltam desprevenidos
Com arma firme na mão
Sendo tombados no chão
Pelo povo esbaforido.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Aprendendo a desenhar!

Agora que comecei
Vou prestar neste momento
Uma palavra pra todos
Fazer um esclarecimento
Pintar com o bastão pastel
É difícil pra dedel
Causa até estranhamento.

Minha querida Alexa Dias
Até que tentou bastante
Pegando na minhão mão
De modo bem delirante.
Mas é que o problema foi meu
Não acreditei no que deu,
Um desenho extravagante.


Vocês tão vendo a maçã
Ai neste lindo desenho?
Foi no que tentei fazer
De um modo bem ferrenho
Quanto mais isso tentava
Ai é que Alexa me falava:
- Melhore o seu desempenho!

Obs.: Alexa é a minha professora de desenho.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

A Maior Criação do Homem


Deus todo poderoso
Com sua bondade infinita
Fez uma criação favorita
No cosmo maravilhoso
Com tudo sendo vistoso
Neste mundo em que nascemos
Vivemos e depois morremos
Partindo da nossa casa
Como se tivéssemos asa
Perto Dele renascemos.

Deus todo poderoso
Usou todo seu poder
Pra Dele fazer nascer 
O humano maravilhoso.

O homem quando faz sua cria
Em nada possui poder
Nada consegue fazer
Sem a sua tecnologia
Como se fosse magia
Usada para criar
E um vírus divulgar
Pra travar computador
Do homem que é trabalhador
Para a alegria silenciar.

O homem quando faz sua cria
Tentando fazer invenção
Buscando renovação
Não faz mas que alegoria.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

BICO DE LAMPARINA

Mary-Lucy

A vaca de mãe era bela
Mui mimosa e preferida
A Bico de lamparina
Passava a vida sumida
A venta era tinta preta
E nunca ficou parida

A vaca não dava cria
E pai dela não gostava
E a bichinha ela sabia
Que só mamãe a tolerava
Era igual a forrageira
A comida devorava!

E era sim terna e dengosa
E assim a  vida a levava
Vindo a “marvada” da seca
Mesmo assim ela luxava
A pobre de lamparina
Pras tiras fora levada!

Mãe ficou muito aperreada,
Tratou dela com ração
A bichinha já era velha
Deus tem dela compaixão!
Quero Lamparina morta,
A sofrer neste torrão!

E Bico de Lamparina,
À tarde bateu suas botas
E Mãe toda chorosa era
Lamentando a vaca morta
Mas disse, Deus obrigada,
E livrai-me de outra morta !

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Salmácis e Hermafrodita





A ninfa e bela Salmácis
Era uma graciosidade
Que vivia a beira dos rios
Fazendo suas amenidades
Não era um espírito novo
Mas também não tinha idade.

Em um belo dia na relva
Salmácis notou a presença
De um homem jovem lindo
Que surgiria sem audiência
Bem ali do outro lado do rio
Lhe fazendo indiferença.

E foi amor a primeira vista.
Enquanto ele mergulhava
Ela deu a volta na margem
Ficando muito encantada
Com o filho da deusa Vênus
E sua bela agilidade.

Quando d'aquela água saiu
Deu de cara justo com ela
Lhe encarando com firmeza
Tal qual amor de Cinderela
Ele nadou pra outra margem
Se distanciando dela.

Ela não se fez de tonta
Não ficando ali parada
Porque o Cupido lhe deu
Uma flecha pra ser amada
Entraria nesta batalha
Para matar, ou ser matada.

Ao chegar na tal floresta
Ele ficou sem ter saída
Por Salmácis foi agarrado
Perdendo esta partida
Tentando mui se afastar
Da louca espavorida.

E quanto mais ele tentava
Mais força ela fazia
Agarrando-lhe com as pernas
Ao jovem ela se prendia
Mas forte, ele a empurrava
E a tristeza aparecia.

Quando ela percebeu que
Não haveria ali solução
Resolveu pedir a seus deuses
Que fizessem uma união
Porque achou sua alma gêmea
Na estranha situação.

Os deuses lhe responderam
Com uma solução bendita
Fizeram a metamorfose
Que para ele foi maldita.
Seu nome disse sua sina,
Se chamava Hermafrodita.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Memórias Póstumas de Brás Cubas em Cordel - Parte I


RESENHA DA OBRA

Machado de Assis nasceu e morreu no Rio de Janeiro (1839 a 1908). É um dos maiores escritores da literatura brasileira tendo obras em vários gêneros literários como a poesia, romance, dramaturgia, contista e também foi em certa época um crítico literário. As suas grande obras-primas foram: Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias póstumas de Brás Cubas.

A obra Memórias póstumas de Brás Cubas foi lançada em 1881 e inaugura o Realismo no Brasil e deixa o Romantismo de lado para escrever de forma irônica e bem humorada sua observação sobre o comportamento humano. A obra trata de um defunto-autor que conta, com toda a sua sinceridade, tudo que se passou durante sua vida inclusive seus amores e a vida de uma mulher adúltera e também seu grande amor em vida, Virgília.

O autor, Machado de Assis, escreve a estória o defunto como se a vida fosse passando e assim pôe várias passagens de momentos que em si não levam a grande emoções nem a maiores desfechos no livro. Ele mesmo, enquanto autor-defunto, escreve que o livro é enfadonho e assim o parece mesmo, mas o que torna o livro um grande sucesso também é seu olhar para o comportamento humano, a filosofia e propriamente a sua forma de escrever.

"Amável formalidade, tu és, sim, o bordão da vida, o bálsamo dos corações, a medianeira entre os homens, o vínculo da terra e do céu; tu enxugas as lágrimas de um pai, tu captas a indulgência de um Profeta. Se a dor adormece e a consciência se acomoda, a quem, senão a ti, devem esse imenso benefício?"

A obra se destina ao público adolescente, adulto e aos professores de literatura que podem abordar as descrições dos personagens como verdadeiras obras do Realismo.

CORDEL

A estória que aqui começa
É iniciada pelo fim
Com pessoas num velório
Sem falatório e estopim
Do falecido Brás Cubas
Que nunca fora um arlequim.

Mesmo ele sendo um defunto
Relatou toda sua estória
Revelando com detalhes
Que lhe aparecia em memória
Dizendo sem picardia
E sem temer a palmatória.

Este enterro sem alegria,
Numa igreja em vigília,
Contava com a presença
Das pessoas da família
Perambulando seu  amor
Conhecida por Virgília.

O motivo de sua morte
Foi pelo autor relatado
Ter inventado um tal emplasto
Que lhe tornaria afamado
Pra curar a melancolia
Que por todos era falado.

A idéia foi ficando fixa
Sem que nunca amadureça
Levando forte pancada
Bem no meio da cabeça
Se negando ao tratamento
Até que a morte envaideça.

O autor muda seu relato
Neste importante momento
Voltando pra seu passado
Até o dia do nascimento
Ao leitor fez revertério
Mudando seu sentimento.

Ele nasceu e foi crescendo
Um garoto bem traquino
Relatando as peripécias
Da sua vida de menino
Com seu pai passando a mão
Lhe fazendo muito mimo.

Depois adulto se apaixona
Por uma mulher muito bela
Que tinha vida marcante
E já não era uma donzela
Sendo chamada por todos
Pelo nome de Marcela.

Ela era uma mulher linda
Bastante amadurecida
Trocando quem quer que fosse
Por alguma jóia recebida
É assim que Brás Cubas cai
Nas garras desta bandida.

Quanto mais Cubas a amava
Mais lhe dava algum presente
Gastando tudo que tinha
E também de seu parente
Fazendo bastante dívidas
Parecendo ser seu cliente.

Seu pai descobriu esse amor
Antes de entrar na falência
Enviando-o para a Europa
A beira da decadência
Para que ele recobrasse
A bondade e a inteligência.

E Brás Cubas subiu a bordo
Com pensamentos de morte
Embarcando entristecido
Sem saber qual seria a sorte
Quando avistou um furacão
Pensou: "serei um cabra forte?".

Evitando o pensamento
De não ficar ali de loa
Brás Cubas se tornou forte
Desembarcando em Lisboa
Vivendo ali suas aventuras
Nem lembrando da pessoa.

Nunca fora bom estudante
Mas não sentia frustração
Passou bem pelas cadeiras
Sem ter muita formação.
O estudo não era seu foco
Menos sua preocupação.

E foi vivendo bem assim
Com a vida bastante torta
Mulheres, dinheiro, vinho
Nada mais que se lhe importa
Até que uma carta disse:
"Tu vais achar tua boa mãe morta".

A vida lhe deu um motivo
Para não ser aventureiro
Deixar aquela vida insana
Retornando num cruzeiro
Saindo das águas de Veneza
Chegando ao Rio de Janeiro.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Memórias Póstumas de Brás Cubas em Cordel - Parte II


RESENHA DA OBRA

Machado de Assis nasceu e morreu no Rio de Janeiro (1839 a 1908). É um dos maiores escritores da literatura brasileira tendo obras em vários gêneros literários como a poesia, romance, dramaturgia, contista e também foi em certa época um crítico literário. As suas grande obras-primas foram: Dom Casmurro, Quincas Borba e Memórias póstumas de Brás Cubas.

A obra Memórias póstumas de Brás Cubas foi lançada em 1881 e inaugura o Realismo no Brasil e deixa o Romantismo de lado para escrever de forma irônica e bem humorada sua observação sobre o comportamento humano. A obra trata de um defunto-autor que conta, com toda a sua sinceridade, tudo que se passou durante sua vida inclusive seus amores e a vida de uma mulher adúltera e também seu grande amor em vida, Virgília.

O autor, Machado de Assis, escreve a estória o defunto como se a vida fosse passando e assim pôe várias passagens de momentos que em si não levam a grande emoções nem a maiores desfechos no livro. Ele mesmo, enquanto autor-defunto, escreve que o livro é enfadonho e assim o parece mesmo, mas o que torna o livro um grande sucesso também é seu olhar para o comportamento humano, a filosofia e propriamente a sua forma de escrever.

"Amável formalidade, tu és, sim, o bordão da vida, o bálsamo dos corações, a medianeira entre os homens, o vínculo da terra e do céu; tu enxugas as lágrimas de um pai, tu captas a indulgência de um Profeta. Se a dor adormece e a consciência se acomoda, a quem, senão a ti, devem esse imenso benefício?"

A obra se destina ao público adolescente, adulto e aos professores de literatura que podem abordar as descrições dos personagens como verdadeiras obras do Realismo.



CORDEL

A viagem foi demorada
Sua amada mãe havia morrido.
Ficou triste, desolado
Pensativo e combalido.
Mudou-se para outra casa
Para viver entristecido.

Depois de passar algum tempo
Após esta triste partida
Seu genitor resolveu
Fazer-lhe uma boa investida
Para que seu Brás pudesse
Mudar a situação de vida.

A investida foi um pedido:
"Política e o casamento".
Ele não queria pra si
Nenhum comprometimento
Mas seu pai era perspicaz
Conseguiu consentimento.

Brás resolveu visitar
Para alegrar o coração
Uma amiga do passado
Com quem ele fez malcriação
Que ajudara sua mamãe
Naquela hora da expiação.

Esta senhora era Eusébia
Que tinha sido casada
Sendo mãe de uma filha
Com a perna desconcertada
Fruto de um encontro proibido
Sendo por ela muito amada.

A jovem era recatada
Espirituosa e donzela
Apaixonou-se por Brás,
Que não queria nada com ela
Depois de roubar-lhe um beijo
Correu para longe dela.

Voltando para sua casa
Foi transmitir ao pai a resposta
Que em outrora havia lhe feito
Aquela estranha proposta
Embora também quisesse
Sua atitude era indisposta.

A tal proposta era boa
Porém continha um teorema
Detestava o casamento
E este era o maior problema
Não queria qualquer consorte
E nem outro tipo de algema.

Depois passado algum tempo
Ele até tentou mudar
Porém havendo hesitação
Outro tomou seu lugar
Com a noiva que era Virgília
Que com outro foi se casar.

Seu pai só lhe queria bem
Sofreu com muito desgosto
Ficou por meses bem triste
Dentro de casa indisposto
Até que lhe veio a sua morte
Morrendo-se a contragosto.

Só depois de muito tempo
Brás Cubas foi se encontrar
Com a mesma moça Virgília
Em um baile pra se alegrar
E depois de várias danças
É que o amor foi começar.